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Faltam...

Daisypath Happy Birthday tickers

17 março 2006

Injustiças divinas

Ao ver um video sobre a ADRIANA LIMA, apercebi-me mais uma vez das injustiças divinas que andam por aí. Reparem bem na menina. Acham justo que ela seja gira, jeitosa e fotogénica? E depois há aquelas que são giras, jeitosas, fotogénicas e ainda são inteligentes (não sei se a Adriana está incluída neste lote, mas aposto que sim). E ainda há aquelas que são giras, jeitosas, fotogénicas, inteligentes e com boa voz! Estas últimas, para mim, são o cúmulo da desigualdade.

Eu, quando canto no chuveiro, a água arrefece. Em termos de fotogenia, tenho uma foto minimamente decente em cada 500 – ver o meu álbum de casamento foi uma tortura!!! Quanto à beleza e “jeitosice”, nem vale a pena tecer comentários… Decididamente, não é justo. Ao menos UMA qualidade! Não é pedir muito, pois não? E não me venham com o cliché “o que importa é a beleza interior”!

Não menosprezando a beleza interior, acho até que é realmente muito importante, a beleza interior só se conhece com o tempo ou se tiver beleza exterior. Alguma vez ouviram alguém dizer “vou falar com aquele/a porque me parece que tenha uma grande beleza interior”? Pois, também me parecia que não!

É claro que a sorte de muitas mulheres que é que pode não se ser uma top model e mesmo assim ser-se atraente. E até pode-se ser menos atraente que o desejável e ser-se sensual. Acho que, no fundo, é tudo uma questão de atitude da própria pessoa. E esta é mesmo daquelas vezes em que eu espero ter razão!

14 março 2006

Anjinho ou diabinha?

Desde o início do ano que quero ser um anjinho. Quero, no fundo, ter uma mente mais inocente, um comportamento mais generoso. Ou seja, para eu ser mais angelical preciso de uma dieta mental muito rigorosa. Nunca pensei que a maioria das pessoas que sabem desta resolução duvidasse que eu consiga e - pior ainda! - acham a minha decisão errada! Preferem que eu continue a ser uma diabinha (no sentido simpático do termo).

Como diz um amigo meu, "Se quem fala contigo está principalmente interessado no lado mais malicioso, o lado anjinho pode ser aborrecido. Não quer dizer que, quando controlo o meu lado malicioso, não me interesse pelo anjinho.”. Esta frase levantou uma questão pertinente: Será que os anjos são aborrecidos? Se eu fosse um anjo, seria aborrecida? Se eu não sou um anjo, serei interessante?

A minha forma de ser já me deu alegrias, mas também me deu grandes dissabores e, pior do que isso, fez com que eu magoasse pessoas que me eram muito queridas. Provavelmente, este desejo de ser um anjo não é mais do que uma forma de exprimir a mudança que eu quero realizar. O meu receio é que o meu "novo eu" seja pior que o "eu actual". Não conheço ninguém que seja perfeito. Eu sei que nunca vou atingir a perfeição mas, mesmo assim, pergunto-me: será que ser perfeito é melhor do que ter muitos defeitos? Será que a perfeição total não é um defeito igualmente mau? Será que eu me obrigar a ser diferente do que eu sou não será um "pecado" muito maior do que os meus maiores pecados?

Não sei. Continuo como "diabinha" ou esforço-me para ser um "anjinho"? Enquanto não me decido, deixo-vos com este texto de um autor desconhecido:

"Quero ser um anjo. Quero ser útil. Quero ser diferente. Quero explicações. Quero fazer o bem. Quero viver eternamente. Quero voar. Quero sentir. Quero estar. Quero ser. Quero ser Eu. Não quero muita coisa. Não quero fazer mal. Não quero magoar. Não quero entristecer. Não quero viver na ilusão. Não quero sofrer. Não quero nada. Sou uma mente confusa...uma autêntica tempestade dentro da minha cabeça. Aqui isolada, a querer atenção quando ninguém me pode dar. Eu. Estúpida. Egoísta. Não dá. Quero ser Eu mas não posso ser Eu. Ou melhor eu consigo ser eu mas não é o eu que eu gosto. Anjo. Palavra linda. Palavra que não sou. Gostaria de agir como tal, ser perfeita., Ter a espantosa essência do equilíbrio. Na eterna paz. A ataraxia. Ser de algum modo útil. Não me estar constantemente a repetir como estou a fazer neste momento. Quero gritar. Quero que alguém me ouça!! Ninguém me ouve. Estou a sufocar aos poucos com a ilusão de que este sufocamento às vezes pára. Porque é que não é tudo como antes? Porquê? Há sempre alguma alteração em algo. Algo que muda o rumo da minha vida, do meu caminho. Algo que muda o final da minha história. Poder controlar. Alterar algo pelo menos uma vez na vida. Pôr as coisas como estavam. Como elas devem estar. Quero ser um anjo."

12 março 2006

Tentativas Literárias

Quem diz que arrumar não é uma tarefa recompensadora, não sabe do que fala. Sempre que arrumo as minhas coisas, além do prazer que é ver tudo no seu sítio, encontro sempre coisas antigas que me fazem sorrir. Desta vez, forma duas historias que eu comecei a escrever com base em sonhos que eu tive e que tentei romancear.

O sorriso que dei não se deve à qualidade do texto – são tão boas que até um romance da Harlequim é melhor. Foi mesmo pelo que significam: eu simplesmente não consigo desistir da ideia que um dia vou conseguir escrever qualquer coisa de jeito. Prosa ou poesia, eu continuo com as minhas tentativas literárias.

99% das folhas em que escrevo são um desperdício de papel, mesmo que eu escreva em papel de rascunho, e têm todas o mesmo destino: o balde do lixo. Estas duas, porém, escaparam não sei como. Decerto não foi pela sua beleza, muito menos pela originalidade da história. Se calhar foi porque se nota uma certa preocupação com os factos. Os nomes das terras, dos títulos dos personagens e até algumas descrições paisagísticas demonstram claramente que tive que fazer alguma investigação. Teria sido por isso? Sinceramente, já não me lembro. O que é certo é que, desta vez, não as vou deitar fora. Se aguentaram intactas até aqui, merecem um lugar no meu “baú”. Quem sabe se um dia, não as termino e não dão um romance decente?


[C., deves-te lembrar de um deles… Juan, Maria, Laura, Lorena, Beatriz e Diego dizem-te alguma coisa? Espero que sim, um deles foste tu quem me ajudou a escolher… ;)]

18 fevereiro 2006

Divagações

Gosto de ti duro, chupar-te lentamente
Ou meter-te na boca de uma só vez...
Dar-te pequenas trincadelas suavemente
Oh! Dás-me tanto prazer!

E quanto vens em estado liquido
Não resisto a te beber,
Na boca ficam vestígios de ti
Sou gulosa a sorver!

Pudesse eu comer-te todos os dias
Dás-me sensações de alto quilate
Por ti, fico cheia de energia
Maravilhoso Chocolate!!!

14 fevereiro 2006

Planeta Azul

A minha mãe (finalmente) comprou um mapa-mundo para o escritório. Sempre que vou lá a casa, divirto-me a ver os países que gostaria de visitar. Claro que saio da divisão sempre muito frustrada, porque a visão completa do mundo dá-me a certeza que não vou conseguir visitar todos os países que gostava.

Da última vez que lá fui, surgiu-me a ideia de comprar um mapa-mundo para mim também e, com pinos coloridos, assinar onde gostaria de ir e onde já fui. Os azuis para os desejados, verdes para os visitados. Esta ideia deu-me outra (afinal as ideias também são como as cerejas): será que houve alguém que fez o que eu idealizei e foi daí que veio o termo "Planeta Azul"? :) É porque, se eu algum dia colocar em prática este pensamento, acreditem!, o mundo vai mesmo ficar azul, com alguns pontos - poucos, muito poucos - a verde. Se a este conjunto adicionar mais uma cor – a vermelha para os sítios onde eu não quero ir, o mapa continua muito azul, uns pontitos a verde e um ou outro ponto vermelho. Talvez este seja um caso em que a supremacia azul não seja uma boa notícia.

Com esta visão tão azul do meu futuro, achei melhor deixar de comprar revistas de viagens. Há situações na vida que nos levam a colocar um ponto final nas sessões de masoquismo mensal e esta foi uma delas. Agora só vou comprar as revistas que tenham os destinos de férias deste ano. E só um mês antes, que a tortura da espera é isso mesmo: uma tortura.

Claro que, depois dessa resolução tomada, ao passar pelo primeiro quiosque não resisti e comprei uma revista sobre a Islândia...

05 fevereiro 2006

O terrível costume de dizer custume

Não gosto de erros ortográficos. Não estou a falar de gralhas, refiro-me a erros grosseiros. Detesto quando me dizem PRONTOS ou quando, através de uma mensagem escrita, me perguntam: "Já FIZES-TE o que precisas?"...

Quando, na Universidade, entrei no mundo virtual e escrito do MOOsaico fiquei de queixo caído com a quantidade de erros que se davam. Eu e o C.D. mantínhamos um registo mental das calinadas que ali se escreviam. Algumas eram tão graves que não sabíamos se devíamos rir às gargalhadas ou se chorar copiosamente.Apesar de ainda conviver com os erros, já me tinha esquecido como a língua portuguesa pode ser pontapeada numa troca de palavras.

Até que ontem, em que ao falar com um amigo via MSN, li tantas vezes a palavra "custumo", "prontos" e "à" (como em "à muitos anos") me veio tudo à memória. Confesso que não resisti em lhe sugerir a compra de um dicionário, ao que me respondeu: "Sempre me fiz perceber, não preciso disso!" Depois de um argumento destes, o que se pode dizer mais? Para melhorar a minha opinião, a pessoa em questão fala e escreve num inglês que roça a perfeição. Pensei "OK, vale a pena investir num curso intensivo de inglês, mas não vale a pena saber escrever português... right!"

Não quero com isto dizer que eu tenho um português perfeito. O português é demasiado complexo para que eu nunca tenha dúvidas e não cometa um erro ocasional. Lembro-me de teimar com a minha mãe para saber porque é que, se se diz "MUINTO" se escreve "MUITO". Perdi a conta das vezes em que fico com dúvidas sobre a forma como se escreve determinada palavra ou se conjuga um ou outro verbo. Mas acredito que, de uma forma geral, escrevo sem erros. Quero dizer que me esforço para escrever correctamente a minha língua. E se eu consigo, qualquer um o consegue.

Como portuguesa - e orgulhosa de o ser - penso muitas vezes que não merecemos o país e a língua que temos. Ou será que deveria escrever "Não mereSSE-MOS a língua que temos?" :)

28 janeiro 2006

Bolas de neve

Se é verdade que as conversas são como as cerejas, não é menos verdade que as discussões são como bolas de neve. Ao princípio, são apenas um pedacito de neve que vamos empurrando por uma descida pouco acentuada, sempre a controlar a situação.
Quando por damos por ela, nós já estamos no meio da bola, a descer a encosta mais íngreme, e já não controlamos nada, bem pelo contrário, nós é que estamos a ser controlados pela neve.

Quando chegamos ao final da descida, já todos desfeitos, temos duas soluções: ou esperamos o sol derreta a neve ou abrimos caminho, de dentro da bola para fora. É sempre difícil escolher o que fazer. Eu, pelo menos, tenho sempre grandes dificuldades em sair da bola.

Mas os problemas não acabam quando já não fazemos parte da bola. É que convém voltar ao topo da montanha. Já percebemos que a descida era má – tanto que nos enrolamos (no bom sentido!!!!) com a bola. Mas, apercebemo-nos quando começamos a subir, que a descida foi uma brincadeira de crianças quando comparada com o esforço de subir.

Mas, acreditem, que o esforço vale a pena. Porque quando passamos as nuvens, a vista é magnífica e podemos ser deuses…


26 janeiro 2006

Tears to shed

Mais uma vez, o filme de Tim Burton, "The Corpse Bride", consegue mexer na minha maneira de sentir, desta vez através da música [tenho a certeza que este é maior orgulho na vida do realizador! :) ]. Estou a falar da música de Danny Elfman,"Tears to shead". Se eu já gostei de a ouvir enquanto via o filme, quando a ouvi em casa (obrigada, P.) derreti-me.

Neste comovente momento musical, Emily, a noiva cadáver, canta que apesar de não sentir dor quando toca numa vela e saber que está realmente morta, não consegue evitar a sensação de um coração despedaçado e que de facto ainda lhe restam algumas lágrimas para chorar.
A tristeza de Emily, contrasta de uma forma brilhante com a alegria (apesar de forçada) dos amigos que a tentam animar.

É das poucas músicas em que não me identifico com a letra (óbvio!) e que mexem mesmo comigo. Dá-me vontade de fechar os olhos e ouvir até cansar, num local sossegado e na penumbra. *suspiro* . Podem ter a certeza que é o que vou fazer hoje à noite...

Para quem estiver interessado, aqui fica a letra desta belíssima melodia:


MAGGOT: What does that whispy little brat have that you don't have double?
BLACK WIDOW: She can't hold a candle to the beauty of your smile
CORPSE BRIDE: How about a pulse?
MAGGOT: Overrated by a mile
BLACK WIDOW: Overbearing
MAGGOT: Overblown
MAGGOT AND BLACK WIDOW: If he only knew the you that we know
CORPSE BRIDE: (sigh)
BLACK WIDOW: And that silly little creature isn't wearing his ring
MAGGOT: And she doesn't play piano
MAGGOT AND BLACK WIDOW: Or dance
MAGGOT: Or sing
MAGGOT AND BLACK WIDOW: No she doesn't compare
CORPSE BRIDE: But she still breathes air
BLACK WIDOW: Who cares?
MAGGOT: Unimportant
BLACK WIDOW: Overrated
MAGGOT: Overblown
MAGGOT AND BLACK WIDOW: If only he could see
How special you can be
If he only knew the you that we know

CORPSE BRIDE: If I touch a burning candle I can feel no pain
If you cut me with a knife it's still the same
And I know her heart is beating
And I know that I am dead
Yet the pain here that I feel
Try and tell me it's not real
For it seems that I still have a tear to shed

MAGGOT: The sure redeeming feature
From that little creature
Is that she's alive
BLACK WIDOW: Overrated
MAGGOT: Overblown
BLACK WIDOW: Everybody know that's just a temporary state
Which is cured very quickly when we meet our fate
MAGGOT: Who cares?
BLACK WIDOW: Unimportant
MAGGOT: Overrated
BLACK WIDOW: Overblown
MAGGOT AND BLACK WIDOW: If only he could see
How special you can be
If he only knew the you that we know

CORPSE BRIDE: If I touch a burning candle I can feel no pain
If you cut me with a knife it's still the same
And I know her heart is beating
And I know that I am dead
Yet the pain here that I feel
Try and tell me it's not real
For it seems that I still have a tear to shed

20 janeiro 2006

Os efeitos nefastos da feijoada

Esta história já tem alguns anos, mas por mais vezes que a leia continuo a rir-me como se a lesse pela primeira vez. Gosto tanto dela que resolvi partilha-la com vocemecezes!

(Cuidado! a linguagem deste post pode ferir a susceptibilidade dos leitores mais sensíveis!)

O Tona adorava feijoada. Porem, sempre que comia, o feijão causava-lhe uma reacção fortemente embaraçosa. Algo muito forte. Um dia apaixonou-se. Quando chegou a altura de pedir a mulher em casamento, pensou:
- Ela e de boas famílias, cheia de etiquetas, uma verdadeira atleta, não vai aguentar estar casada
comigo se eu continuar a comer feijão. Decidiu fazer um sacrifício supremo e deixou-se de
feijoadas. Pouco depois estavam casados.

Passados alguns meses, ao voltar do trabalho no Douro o carro avariou. Como estava longe, ligou para a Sofia e avisou que ia chegar tarde pois tinha que regressar a pé. No caminho, passou por um pequeno restaurante e foi atingido pelo irresistível aroma de feijoada acabadinha de fazer. Como faltavam vários quilómetros para chegar, achou que a caminhada o iria livrar dos efeitos nefastos do feijão. Então entrou e pediu. Fez a sua pirâmide no prato e, ao sair, tinha três doses de feijoada no estômago.

O feijão fermentou e durante todo o caminho, foi-se peidando sem parar. Foi para casa a jacto. Peidava-se tanto que tinha que travar nas descidas e nas subidas quase não fazia esforço para andar. Quando se cruzava com pessoas continha-se ou aproveitava a oportuna passagem dum ruidoso camião para soltar o dito gás. Quando chegou a casa, já se sentia mais seguro. A mulher parecia contente quando lhe abriu a porta e exclamou:

-"Querido, tenho uma surpresa para o jantar!".

Tirou-lhe o casaco, pôs-lhe uma venda nos olhos, levou-o até a cadeira na cabeceira da mesa, sentou-o e pediu-lhe que não espreitasse. Nesse momento, já sentia mais uma ventosidade anal a porta! No momento em que a Sofia ia retirar a venda, o telefone tocou. Ela obrigou-o a prometer que não espreitava e foi atender o telefone. Era a Xuxu...

Enquanto ela estava longe, o Tona aproveitou e levantou uma perna e -pprruueett - soltou um! Era um peido Comum. Para alem de sonoro, também fedeu como um ovo podre!
Aliviado, inspirou profundamente, parou um pouco, sentiu o fedor através da venda e, a plenos pulmões, soprou varias vezes a toda a volta para dispersar o gás.
Quando começou a sentir-se melhor, começou outro a fermentar! Este parecia potente! Levantou a perna, tentou em vão sincronizar uma sonora tossidela para encobrir, e ... pprrraaaaaaaa! Sai um rasgador tossido. Parecia a ignição de um motor de camião e com
um cheiro mil vezes pior que o anterior!

Para não sufocar com o cheiro a enxofre, abanou o ar sacudindo os braços e soprando em volta ao mesmo tempo, esperando que o cheiro se dissipasse. Quando a atmosfera estava a voltar ao normal, eis que lá vem outro. Levantou a outra perna e deixou sair o torpedo! Este foi o campeão: as janelas tremeram, os pratos saltaram na mesa, a cadeira saltou e num minuto as flores da sala estavam todas murchas. Quase lhe saltavam os sapatos dos pés.

Enquanto ouvia a conversa da Sofia ao telefone no corredor, sempre fiel a sua promessa de não espreitar, continuou assim por mais uns minutos, a peidar-se e a tossir, levantando ora uma perna ora a outra, a soprar a volta, a sacudir as mãos e a abanar o guardanapo.
Uma sequencia interminável de bufas, torpedos, rasgadores e peidos comuns, nas versões secas e com molho. De quando a quando acendia o isqueiro e desenhava com a chama círculos no ar para tentar incinerar o nefasto metano que teimava em acumular-se na atmosfera.

Ouviu a Sofia a despedir-se da Xuxu e sempre com a venda posta, levantou-se apressadamente, e com uma mão deu umas palmadas na almofada da cadeira para soltar o gás acumulado, enquanto abanava a outra mão para espalhar. Quando sacudia e batia palmadinhas nas calcas largas para se libertar dos últimos resíduos, ouviu o plim do telefone a desligar, indicando o fim da solidão e liberdade de expressão.

Alarmado, sentou-se rapidamente, e num frenesim abanou apressadamente mais algumas vezes o guardanapo, dobrou-o, pousou-o na mesa, compôs-se, alinhou o cabelo, respirou profundamente, pousou as mãos ao lado do prato e assumiu um ar sorridente. Era a imagem da inocência quando a Sofia entrou na sala. Desculpando-se pela demora, ela perguntou-lhe se
tinha olhado para a mesa. Depois de ele jurar que não, ela retira-lhe a venda, e...

SURPREEEESAA!!!

Estavam 12 pessoas perplexas, lívidas e amarelas sentadas a mesa: Os pais, os sogros, os irmãos e os colegas de tantos anos de trabalho. Era a festa surpresa de aniversário do TONA!

17 janeiro 2006

Dias cinzentos

Em dias de chuva só me apetece ficar em casa, de pijama, não necessariamente na cama, mas cheia de mimo. Eu adoro ver chover quando estou quentinha e sei que a chuva não me vai afectar porque não tenho que ir a nenhum lado…

Em dias cinzentos como o de hoje, sou atacada por uma forte “preguicite” aguda. O desejo de estar na sorna, apenas a conversar ou a fazer qualquer coisa (menos trabalhar, claro) é grande. Muito grande!

Mas como nem sempre temos o que queremos (“cada um tem o que merece”), lá tive que vir trabalhar… a preguiça é realmente mais que muita, tanta como a vontade de voltar para casa. O esforço para me concentrar é grande e nem a música me anima.

Os dias de chuva fazem-me recordar Guimarães, cidade onde estudei IG . No meu ano de caloira (ah, o meu ano de caloira!!! *suspiro*), uma amiga, a CG, tinha sempre a mãe a ir buscá-la à sexta-feira e, gentilmente, dava-nos boleia (a mim e ao CD) até casa, no Porto. Pois era certo e sabido que a partir do momento em que entravamos no carro que iria começar a chover. A minha frase semanal acabou por ficar famosa entre os três: “Odeio chuva, odeio Guimarães, eu quero ir para casa!” A semana não podia acabar sem eu dizer isto…

E a verdade é que, sempre que chove, acabo por repetir a frase. E hoje a frase faz mais sentido do que nunca….