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17 março 2014

Tempo

"Os dias são velozes como uma flecha indígena. Voam como uma estrela cadente. O dia presente está aqui. E se dissipa tão rápido. Que nunca podemos dizer que é nosso. "Mas apenas dizer... que passou."

03 julho 2013

Perdidas numa agenda

Encontrei umas quadras entre as quais destaco:

"Eu amante e tu amante
Qual de nós será mais firme?
Eu como sol a buscar-te
Tu como sombra a fugir-me!"

O que me leva a algumas interrogações:
- São amantes um do outro?
- Se sim, porque foge ela/ele?
- Será um jogo?

Vim agora a descobrir que o original é de Francisco de Lacerda e é diferente do que eu encontrei:
"Eu sou sombra, tu és sol,
Qual de nós será mais firme?
Eu como a sombra a buscar-te,
Tu como o sol a fugir-me?"

As interrogações mantêm-se. Gosto mais da versão que conhecia.

05 novembro 2012

A última tentação de Cristo

A minha maior dor e a origem de todas as minhas alegrias e tristezas tem sido, desde a minha juventude, a incessante e implacável luta entre o espírito e a carne.

Existem, dentro de mim, as secretas e imemoriais forças do Demónio, humano e pré-humano; também moram dentro de mim, as forças humanas e pré-humanas, de Deus - e a minha alma é a arena onde se encontraram e combateram estes dois exércitos.


 “A Última Tentação de Cristo” de Nikos Kazantzakis 


30 outubro 2012

Também não poderia deixar de partilhar esta, que adoro:

    Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
    Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
    Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
    Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
    Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
    Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
    Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
    Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
    Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!

    Ó Mestre,
        fazei que eu procure mais:
        consolar, que ser consolado;
        compreender, que ser compreendido;
        amar, que ser amado.
        Pois é dando, que se recebe.
        Perdoando, que se é perdoado e
        é morrendo, que se vive para a vida eterna!

    Amém

(Frase de origem anónima, geralmente atribuída a São Francisco)

O amor é sempre paciente e generoso

Tinha-me esquecido como gosto deste texto:

O amor é sempre paciente e generoso, nunca é invejoso;
O amor nunca é prepotente nem orgulhoso;
Não é rude nem egoísta;
Não se ofende nem se recente do mal;
Não se alegra do pecado alheio;
Mas se regozija com a verdade;
E tudo perdoa, tudo crê, tudo espera e tudo tolera.


Não sei quem o autor...

03 outubro 2012

As verdades são para serem ditas (ou não)

"Ha pessoas que se foram tao boas a mamar no parceiro como a mamar do Estado, devem fazer o tipo mesmo feliz"

(autoria do DCP)

13 junho 2012

As raparigas do norte

"As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos impossíveis. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. São mulheres que possuem: são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste pais. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer."
Miguel Esteves Cardoso

27 fevereiro 2012

O regresso do Jovem Principe

"(...) Cada pessoa é capaz de mudar e transformar o mundo de acordo com a sua percepção, sem luta e sem poder exterior (...) se eu vir um rosto carrancudo ao espelho, tudo o que tenho que fazer é sorrir" Pág 33

"Porque preferimos muitas vezes a pessoa que nos desilude àquela que nos dá uma ilusão? Desconfia daqueles que te despedaçam os sonhos com a desculpa de estarem-te a fazer um favor, porque geralmente não têm nada para oferecerem em troca." - Pág 56

A.G. Roemmers - "O regresso do jovem príncipe" - Lua de Papel 2011


O autor traz de novo à terra, neste século XXI, o Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry, agora um jovem adolescente, cheio de dúvidas e de questões, que procura entender o mundo e o caminho para a felicidade. A obra tem um prefácio de um familiar de Saint-Exupéry, Bruno d'Agay, que afirma: "Este livro faz-nos recordar tudo aquilo que convém não esquecermos: o amor, a fraternidade, a educação, a família, os valores que são o cimento das sociedades civilizadas e humanas"
Através da magia e do regresso ao mundo fantástico dos príncipes que caem do céu, apresenta verdades universais e dá uma verdadeira lição de vida, incitando a um regresso à pureza da infância.

23 fevereiro 2012

A mulher ideal

Revista Sábado - N.º 406 de 9 / 2 / 2012

12 dezembro 2011

Alistair Cooke

“In the best of times, our days are numbered anyway. So it would be a crime against nature for any generation to take the world crisis so solemnly, that it put off enjoying those things for which we were designed in the 1st place: the opportunity to do good work, to enjoy friends, to fall in love, to hit a ball, and to bounce a baby.”

Alistair Cooke

15 outubro 2011

Portugal e Grécia

“…Nós estamos num estado comparável sómente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito.
Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá …vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal.”

Eça de Queiroz, 1872, in As Farpas


31 agosto 2011

Perdi-me nos blogues eróticos delas...

"E a blogosfera das senhoras? Viram a reportagem na TV? Ah, é outra coisa... é que é completamente diferente da escrita blogosférica masculina! Não há cá galhofa nem politiquice... É toda uma sensibilidade, uma ternura, é a partilha, o gosto pelo tesão! Oh, desculpem, disse tesão? Perdão! Mas está dito, está dito. Já não há como retirar! Eis-nos pois no tremendo, multifálico, giga-orgásmico, polvilhado de muito poema de queca grasnada e foto a preto e branco de coito suado, mundo da blogosfera erótica feminina anónima portuguesa.

E isso existe? Dou-vos duas mãos cheias deles no finalzinho para fazerem as vossas vistas. Mas perante tanta malandrice e sacanagem revelada pelo submundo blogueiro não há como deixar rejubilar o bem que a tecnologia da informação também faz à libertação sexual das mulheres com a sublimação semipública de umas tarazitas e umas vontades incontidas de copular várias vezes ao dia em estranhos lugares e em variadas posições. Tudo isto em relatos de qualidade literária que equivalem à vida sexual de muita gente: normalmente fraca, umas vezes média mas também grandes momentos de talento e arte dignos de serem aplaudidos. Por estes relatos vamos sabendo - para contínuo espanto pudico masculino - que a cabeça de muitas das mulheres é tão povoada desses ímpetos como as nossas. Bem-haja o autocontrolo e as normas civilizacionais que impedem que tal se concretize a cada impulso, a bem da produtividade, da higiene dos espaços comuns e muitas vezes da estética.

Ora não se entra assim de repente neste "mundo de escrita erótica feminina", que oscila entre uma imagética sofisticada e o "Oh, come-me já!". A minha guia, Maria Árvore, que só conheço via mail, e que tem um blogue "pouco pornográfico para ser muito popular e pouco erudito para o gosto dos intelectuais", explica-me que esta cena blogueira é apenas o equivalente às "Maxmen" e "FHM" dos homens. E vai lançando provocações quando me percebe desanimado perante tanto link povoado de pilas e testículos, torsos contorcidos antes da explosão consumatória e murmúrios tremidos no teclado tipo "deixa-me dormir em ti". Revela-me: "Também te podes questionar se tanta teoria não é falta de prática". Noutra altura escrever-me-á: "É tudo mulherio pacífico que usa mais as mãos para descascar do que para cascar. Coragem!".

Coragem, então! A maioria é de contos e crónicas da descrição do acto sexual em si num tom confessional mas de pecadora assumida em escrita descarada: "Toma-me assim, contra a parede" é o que a ERC me deixa citar aqui. Não há cá analogias muito rebuscadas. Mas noutros também se podem ler intróitos tipo "perdidos em carícias que transmitiam luxúria nos beijos dos lábios carnudos", o que equivale num filme porno dos anos 80 aos primeiros 29 segundos de música. (Esta conversa tem a validade de uma investigação que durou uma tarde pois, verdade seja dita, há blogues que já produziram livros, como o 'Cenas de Gaja'). Mas deixem-me dizer que as senhoras anónimas, perceptivelmente de formação universitária, abusam da terminologia de trolha e não como interjeição mas como substantivação. Há ali mais palavrão que num Porto/Benfica, casa cheia, três penáltis descarados não marcados para cada lado.

E há também muita poesia de cunho próprio, fotografia monotemática (um só de rabinhos femininos, postados por uma menina persistente) e vídeos - embora me seja estranha certa conceptualização: não percebo porque é que um vídeo com sexo explícito com ar profissional esteja num blogue "alérgico a pornografia". É a banda sonora árabe que o despornifica? Escapa-me.

Há relatos de vida pessoal soft e hard, com e sem fotos pessoais sem cara e blogues de nicho (S&M), blogues escritos por adolescentes e balzaquianas e pós-balzaquianas assumidas que têm em comum isso: sexo. Ah desculpem: o erotismo, mesmo quando é pimpa-pimpa tal e qual nos sites da especialidade, dos 'masculinos'. Mas brincadeira mesmo, é nas caixas dos comentários. Ui.

Enfim. Minhas senhoras: parabéns! Divirtam-se e dado que finalmente vejo alguma utilidade para a blogosfera."


Por Luís Pedro Nunes, em 19 de abril de 2009(sim, eu sei, é antigo, mas eu gostei imenso.)

19 agosto 2011

Recordações

Eu guardo tudo!

Tenho várias caixas com lembranças que me foram dando: um cacho de bananas de um colega madeirense, um mini t-shirt que uma caloira me deu, um seixo com um desenho, uma toalha de mesa com uma toca de ursinho desenhada, tantas coisas que tinha afixadas num quadro de cortiça que estava pendurado no meu quarto nos meus tempos universitários.

Ao acabar de arrumar os armários da "biblioteca", descobri a caixa com as minhas agendas. São várias cheias de convites, bilhetes, fotos, mensagens, ideias... Claro que estive a relembrar os momentos que lá estão eternizados e chamaram-me a atenção estes quatro pequenos extractos:

"Amor! Teu coração trago-o no peito...
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!..."
Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade


"Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele"
David Mourão-Ferreira

"Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda. "
Sophia de Mello Breyner


"Mas é na intimidade e no segredo,
Quando tu coras e sorris a medo,
Que me apraz ver-te e que te adoro, flor! "
Antero de Quental



10 julho 2011

Sensualidade



"Um amigo com quase o dobro da minha idade costuma falar-me da sensualidade, essa palavra perdida. É que já ninguém usa a palavra. Sabem porquê? Porque uma mulher para ser sensual tem de ter muito mais do que está à mostra. Sensualidade também vem de dentro e pode vir de alguém que tem poucas mamas ou o rabo grande ou o nariz comprido. Sensualidade é um conjunto de coisas que podem escapar ao habitante do Planeta Mamas. Este habitante vai sempre com o nariz tão enfiado nelas que lhe escapa o mundo em volta. E há tanto a passar-se em redor."

Vou fazer deste texto o meu novo mantra! :)


em O sexo e a Cidália, por Cidália Dias (NS' 09 Julho 2011)

01 junho 2011

Dia Europeu sem Cuecas

Através da criação do “Dia Europeu sem Cuecas” – dia 01 de Junho – com o objectivo de consciencializar para o problema da infertilidade masculina provocada pelo uso desta peça de vestuário.


...Os principais objectivos do Dia Europeu sem Cuecas consistem em:
· “Sensibilizar a população masculina para optarem por não utilizar roupa interior.
· Criar uma oportunidade para experimentar essa mudança.
· Demonstrar que não usar cuecas é sinónimo de maior qualidade de vida.

O Ministério da Promoção da Fertilidade (MPF), através do Instituto da Família (IF), em conjunto com a prestigiada marca de vestuário OMNI ( omniwear.com) promovem esta Campanha a nível Nacional.

Esta campanha é propícia para que as autarquias promovam junto aos seus munícipes esta nova tendência Mundial, que tantos benefícios tem tido na taxa de fertilidade dos países onde é adoptada.

Como colaborar com a Campanha?
O objectivo desta iniciativa é que no dia 01 de Junho não utilize cuecas.

1. Não use Cuecas durante um dia inteiro, sinta a diferença ao longo do dia.
2. Espalhe a mensagem
3. Participe com amigos ou familiares nas actividades planeadas pela sua autarquia
4. Redescubra a liberdade de não usar roupa interior.

Já algumas das cidades de outras partes do mundo participam na iniciativa “Eu não uso cuecas!”, como em Curitiba, Brasil. As Nações Unidas pretendem lançar o Dia Mundial sem Cuecas, criando um órgão de cooperação internacional, que preste serviços de consultoria sobre políticas e aspectos operacionais relativos ao planeamento do Dia sem Cuecas. Este órgão monitorizará os eventos e experiências do Dia e será o Centro Internacional de Intercâmbio de Informação para aprendizagem e troca de ideias.

in http://www.facebook.com/event.php?eid=140261692684603

02 agosto 2010

Sedução

"Dão por nomes como Uma Aposta Perversa, A Cama da Paixão, O Príncipe Corvo, Casamento de Conveniência, Lições de Sedução. Passam ao lado das criticas literárias mas vendem como pãezinhos quentes - as editoras que o digam, que não se cansam de fazer novas edições destes best-sellers mistura de romance de cordel com ficção histórica, de conto de fadas com realismo dramático, de Jane Austen com Michael Crichton.
O "argumento" não difere muito: situando-se algures em Inglaterra do século XIX e a trama gira em volta de um lorde libertino e encantador; ou então com reputação de mau feitio e impossível de conquistar, e de uma mulher, nobre ou não, "encarregue" de fazer o belo aristocrata cair perdido de amor nos seus braços ingénuos e bem intencionados.
Mas o denominador comum mais curiosos nestes romances que rapidamente desaparecem dos escaparates está nos "manuais" de sedução utilizados pelos protagonistas para a conquista do outro - que nos lembram i que esquecemos na sociedade frenética em que vivemos, e que é sobretudo tempo para conhecer o outro, para explorar o outro, para o encantar, para o prender, para o saborear. É a arte praticada com mestria pelas grandes cortesãs que com estes livros procuramos avidamente perceber que não soçobrarmos nesta vida fast food em que a sedução só nos chega pela publicidade."

Sofia Barrocas - Notícias Magazine - 01 Agosto 2010

Faço minhas as palavras desta senhora. Não são grandes romances, daqueles que se lêem, se adoram e se voltam a ler vezes sem conta sem nunca perderem o brilho. Mas lêem-se bem e a mim fazem-me sonhar com o tempo em que a sedução era uma arte e as coisas não eram tão óbvias como são hoje em dia, em que a linguagem era cuidada e as palavras tinham um duplo sentido que nada tem a ver com a "linguagem traiçoeira" de hoje em dia. Dos livros citados, já li "
A Cama da Paixão" e "Casamento de Conveniência" e confesso que gostei. As pessoas a quem os emprestei gostaram também...

22 março 2010

Não importa a morte... o 'prof' até era louco!





Por Ricardo Miguel Vasconcelos



"Segundo os jornais 'Público' e 'i', o professor de Música que se suicidou a 9 de Fevereiro deste ano, parou o carro na Ponte 25 de Abril, em Lisboa, e atirou-se ao rio Tejo. No seu computador pessoal, noticiam os dois diários, deixou um texto que afirmava: 'Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio', disse o licenciado em Sociologia.
O 'i' coloca o 9B no centro deste caso, escrevendo que os problemas do malogrado professor tinham como foco insultos dentro da sala de aula, situações essas que motivaram sete participações à direcção da escola, que em nada resultaram.
E à boa maneira portuguesa, lá veio o director regional de Educação de Lisboa desejar que o inquérito instaurado na escola de Fitares esclareça este caso. Mas também à boa maneira deste país, adiantou que o docente tinha uma 'fragilidade psicológica há muito tempo'.
Só entendo estas afirmações num país que, constantemente, quer enveredar pelo caminho mais fácil, desculpando os culpados e deixar a defesa para aqueles que, infelizmente, já não se podem defender.
É assim tão lógico pensarmos que este senhor professor, por ter a tal fragilidade psicológica, não precisaria de algo mais do que um simples ignorar dos sete processos instaurados àquela turma e que em nada deram? Pois é. O 'prof' era maluco, não era? Por isso, está tudo explicado.
A Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), à boa maneira portuguesa, colocou psicólogos na tal turma com medo que haja um sentimento de culpa. E não deveria haver? Não há aqui ninguém responsável pela morte deste professor? Pois é, era maluco, não era?
José Joaquim Leitão afirmou que os meninos e meninas desta turma devem ser objecto de preocupação para que não haja traumas no futuro. 'Temos de nos esforçar para que estas situações possam ser ultrapassadas. Trata-se de jovens que são na sua generalidade bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode vir a condicionar pela negativa', afirmou.
Toca a tomar conta dos meninos e meninas porque não pode haver um sentimento de culpa. É verdade! O 'prof' era louco, não era?
Não estou a dizer que haja aqui uma clara relação causa-efeito. Mas alguma coisa deve haver. Existem documentos para analisar, pessoas a interrogar, algumas responsabilidades a apurar. Por isso, neste 'timing', a reacção da DREL é desequilibrada. Só quem não trabalha numa escola ou não lida com o ambiente escolar pode achar estranho (colocando de lado a questão do suicídio em si) que um professor não ande bem da cabeça pelos problemas vividos dentro da sala de aula em tantas escolas deste país.
Não se pode bater nos meninos, não é? Os castigos resultantes dos processos disciplinares instaurados aos infractores resultam sempre numa medida pedagógica, não é? Os papás têm sempre múltiplas oportunidades para defenderem os meninos que não se portaram tão bem, não é? É normal um aluno bater no professor, não é? É normal insultar um auxiliar, não é? É normal pegar fogo à sala de aula ou pontapear os cacifes, não é? É normal levar uma navalha para o recreio, não é? É também normal roubar dois ou três telemóveis no balneário, não é? E também é normal os professores andarem com a cabeça num 'oito' por não se sentirem protegidos por uma ideia pedagógica de que os alunos são o centro de tudo, têm quase sempre razão, que a vida familiar deles justifica tudo, inclusive atitudes violentas sobre os colegas a que agora os entendidos dão o nome de 'bullying'?
De que valem as obras nas escolas, os 'Magalhães', a educação sexual, a internet gratuita ou os apelos de regresso à escola, uma espécie de parábola do 'Filho Pródigo' do Evangelho de São Lucas (cap.15), se as questões disciplinares continuam a ser geridas de forma arcaica, com estilo progressista, passando impunes os infractores?
Só quem anda longe do meio escolar é que ficou surpreendido com o suicídio do pequeno Leandro ou com o voo picado para o Tejo do professor de Música. Nas escolas, antigamente, preveniam-se as causas. Hoje, lamentam-se, com lágrimas de crocodilo, os efeitos. O professor era louco, não era? Tinha uma clara fragilidade psicológica, não tinha? Pobre senhor. Se calhar teve o azar de ter que ganhar a vida a dar aulas e não conheceu a sorte daqueles que a ganham a ditar leis do alto da sua poltrona que, em nada, se adequam à realidade das escolas de hoje."

16 setembro 2009

Escola

À escola do século XXI pede-se uma imensa e ainda mal definida missão. Nunca como agora o mundo mudou tanto e tão depressa. Nunca como agora o progresso das disciplinas evoluiu a um ritmo tão estonteante que mal conseguimos acompanha-lo. Nunca como agora houve tantas fontes de informação e de conhecimento. Nunca como agora houve tantos e tão rápidos meios de transmissão dessa informação e desse conhecimento. E se mal conseguimos digerir toda esta avalancha de saber, muito menos estamos em condições de perceber as implicações que ela terá na sociedade, na família, nas relações sociais e afectivas, na construção dos indivíduos na estrutura comunitária que será o mundo daqueles que agora iniciam a sua aprendizagem. A escola tem que mudar, todos o sabemos. Aquilo a que se chamamos educação no sentido de aquisição e transmissão de saberes tem muito pouco que ver com o que foi a educação daqueles que hoje têm como tarefa ministra-la. Que nunca foram preparados para protagonizar a revolução que o ensino precisa - e este não é um problema só de Portugal. Em todos os países ditos civilizados se procuram novas fórmulas, novos conceitos, novas organizações para uma escola cujas estruturas assentam em modelos com séculos de existência, que ao longo dos tempos foram sendo adaptadas às mudanças sociais mas que se revelam agora completamente inadequados às exigências do novo milénio.



Sofia Barrocas - Notícias Magazine

22 agosto 2009

Opiniões

«A mania das pessoas se meterem na vida dos outros chega a ser ridícula, patética e francamente incomodativa, especialmente no que se refere a ter ou não ter filhos.
Tenho conversado com muitos casais e vejo nas suas palavras o que sofrem com a chamada "ditadura do que dizem os outros". "Já estás grávida?", "Também acho que estava na altura de teres outro!, "Não te achas um bocado velha para teres mais um?", "O quê, três? Mas vocês estão doidos?", "Então... já estás quase nos 35 e nada?", "Agora não vais ter mais nenhum, pois não?", etc.
Toda a gente opina sobra uma decisão profundamente íntima e solitária que, por definição, não se partilha. Cada casal é que sabe quantos filhos deseja ter, se os tem e quando os tem. É um assunto em que nos devíamos abster, mesmo que para projectar as nossas frustações, ressabiamentos ou desejos. »

Mário Cordeiro, Notícias Nagazine
19 Julho 2009

16 junho 2008

Vale a pena pensar nisto...

"A meia dúzia de lavradores que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da “fast food”, para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e “petiscos”, a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.
A SOLUÇÃO FINAL vem aí.
Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.
Em frente à faculdade onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.
Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido.
Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos.
Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido.
Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido.
Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.
Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas.
Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.
Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.
Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido.
Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais.
É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos.
Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.
As regras, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.
Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto.
Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género.
Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas.
No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta “produto não válido”, mesmo que esteja vazia.
Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação.
Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda.
Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.
Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido.
Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica.
As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas.
As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.
Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço.
Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.
O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.
TUDO ISTO, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro."
António Barreto
«Retrato da Semana» - «Público» de 25 de Novembro de 2007

(só agora descobri este texto através de um e-mail do MM. É uma pena que se vá perder tanta coisa só porque alguns fazem imensas asneiras em matéria de higiene. E o pior é que esses "maus exemplos" vão continuar a ser o que são e o que era bom vai desaparecer....)